segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Desabafo da colega Angela

Desde que cheguei ao Posto de Saúde de Passinhos comecei a fazer mudanças
Acho que me acharam meio louca no começo, mas com o tempo fui conquistando a confiança do povo e me apaixonando pelo lugar e adotei como minha 2ª casa e comunidade conquistando amigos e amigas maravilhosas, mulheres, homens, vovôs, vovós, crianças e, até mesmo os colegas de outras secretarias da Prefª. Aí “adotei” a comunidade e,  sendo uma “porta voz” de um povo que não sabe os direitos que têm comecei a cobrar na Secretaria da Saúde um mínimo de melhorias para o povo...
Um posto de saúde mais equipado,
Uma equipe de saúde mais atuante,
Água tratada no Posto e na comunidade, sem Coliformes totais (tenho o laudo guardado)
Um nebulizador (passei um ano pedindo um)
Queria uma ginecologista (pelo menos uma vez por mês)
Telefone para o Posto de saúde (para marcar as consultas e para poder tratar de assuntos particulares das pacientes,sem o sub prefeito e mais um monte gente ouvindo e dando opinião)
Queria médico mais vezes por semana?
Queria mais uma agente de saúde visitando toooodas as famílias....
Acompanhamento de verdade das gestantes e dos recém nascidos, pessoas acamadas...
Fui punida porque exigi na Secretaria da Saúde providências com relação ás condições precárias de funcionamento do posto.
Entre elas o fato de os curativos e o consultório médico, serem na mesma sala
Quando cansei de esperar e de pagar água do próprio bolso procurei um Vereador pra me ajudar ai começou o problema fui advertida e ameaçada!Da próxima vez que eu falasse com quem quer que seja sobre os problemas da comunidade eu seria transferida!!!
Queriam que eu fosse conivente com a maneira com que as coisas funcionam no Posto de Saúde de Passinhos.
Continuei solicitando as mesmas coisas, daí a afirmação de que “eu pedi pra sair do posto”
É mais fácil trocar a técnica do posto (por uma contratada) do que resolver os problemas da comunidade,
Nunca pedi  pra sair de Passinhos, só concordei em ajudar, a pessoas que eu achava que tinham palavra e, que se aproveitaram da minha incompetência em diferenciar canalha de gente honesta (eu sempre tive esse problema) pra me tirar de lá e colocar alguém que devido á um frágil vínculo empregatício não vai ficar “incomodando”
Não vou dizer que ta ruim no Posto do Caravágio, as colegas, duas contratadas e duas concursadas, são gente boa, mas sinto falta do “meu posto” sei que poderia fazer muito mais pelos meus amigos e amigas e pela minha comunidade querida de Passinhos, porque quem me conhece sabe que quando eu visto a camiseta eu visto mesmo, e não gosto de deixar as coisas pela metade!
Tenho a promessa de pessoas que estão esperando uma oportunidade de mudar o que está errado, de voltar...
Quem sabe um dia eu também tenha a oportunidade de retornar a Passinhos e continuar o meu trabalho lá.
Eu tenho paciência, experiência, amor ao que faço,  inteligência, maturidade, e... estabilidade.

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